Meninas ganham concurso para ilustrar cartilha de prevenção à crimes em Joinville

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Foto: Salmo Duarte / A Notícia

Seis meninas da rede municipal de ensino de Joinville participaram de um bate-papo com o artista plástico Juarez Machado nesta terça-feira. Elas são autoras dos desenhos escolhidos durante concurso cultural para ilustrar a cartilha intitulada “Seis dicas para Criança Esperta”. O projeto, idealizado pela Delegacia de Proteção a Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI), busca conscientizar para prevenir crimes que envolvam crianças.

O projeto da cartilha começou a ser idealizado há cerca quatro meses. Segundo a delegada Geórgia Marrianny Gonçalves Bastos , da DPCAMI, a ideia surgiu após um ciclo de palestras realizadas nas escolas sobre temas que envolvem o respeito ao próximo, onde a escrivã de polícia da unidade, Amanda Kaiser, propôs a confecção do caderno para distribuição entre as crianças, auxiliando na conscientização.

— A principal intenção foi a conscientização dessas crianças, de eles debaterem o tema em casa. Conversarem sobre as situações com um irmãozinho ou um colega — afirma a escrivã.

Com seis dicas, a cartilha busca despertar o olhar infantil para a prevenção das ocorrências de ameaça ou violação dos direitos da criança. As dicas simbolizam situações reais ocorridas em Joinville. Os casos estão registrados em diversos boletins de ocorrências, denúncias anônimas e inquéritos policiais envolvendo crianças, registrados na delegacia especializada. Para contribuir com a conscientização, as dicas citam informações como “não aceitar nada de pessoas desconhecidas” ou “tomar cuidado com informações compartilhadas na internet”.

— As dicas são situações que reproduzem a nossa realidade. Parece que são dicas de notório conhecimento, mas que fazem total diferença na vida dessas crianças, que são o que a gente chama de vítimas em potencial – garante a delegada.

Para ajudar a ilustrar a cartilha foi realizado um concurso com alunos do 4º ano de escolas da rede municipal. Cerca de 4 mil estudantes contribuíram desenhando as situações contidas no livro. Cada unidade escolar elegeu – com o apoio de todos os alunos – um desenho finalista para enviar à comissão julgadora do concurso. No total, aproximadamente 60 mil crianças participaram da ação, direta ou indiretamente.

Depois da escolha nas escolas, as ilustrações foram enviadas a uma comissão julgadora que elegeu os seis desenhos vencedores. O concurso contou com o apoio da Secretaria de Educação e da Comissão de Políticas Sobre Drogas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Segundo a representante da OAB, Cristiane Vanzuita, para a escolha dos vencedores foi levado em consideração a forma como foram representados os conceitos e a qualidade ao transmitir a mensagem contida na dica.

— A comissão escolheu aquela ilustração que realmente ilustrou a forma que queríamos repassar a informação, isso foi decisivo para escolha dos desenhos – diz.

Um desses desenhos foi o da estudante Emeli Vitoria Fagundes, 10 anos. Dos seis desenhos do conjunto, o alerta número cinco – para não andar sozinha na rua – é que terá os traços da menina. Ela estuda na escola municipal Fritz Benkendorf, em Pirabeiraba. De acordo com a professora da unidade, Alessandra Helena Günther, depois de trabalho de conscientização realizado em sala de aula, a garotinha conseguiu transmitir para o papel os ensinamentos.

— Foi muito gratificante porque estivemos em sala de aula com essas crianças, nós percebemos elas assimilando as dicas. Também é interessante como nos desenhos, junto com a orientação das professoras, conseguimos desconstruir o mito da imagem do agressor. Nas ilustrações, vimos mulheres como pessoas más, homens bem vestidos… — ressalta a delegada.

Arte como forma de expressão

Além da conscientização, o concurso também propiciou às crianças expressarem as emoções por meio da arte. Para o artista plástico Juarez Machado, este é um dos principais conceitos das obras artísticas. Por meio do material, o artista se expressa ao público e gera uma reflexão.

— Dando uma olhada nos desenhos, eu percebi que tinham coisas para serem vistas e pensadas. Não é somente o belo, pintar o vaso de flores, a arte também serve como uma maneira de se expressar, de falar — garante o artista.

As cartilhas ainda precisam ser impressas para que possam ser distribuídas nas escolas joinvilenses. Neste momento, a equipe envolvida no projeto está angariando auxílio financeiro de parceiros públicos ou privados para que a ideia possa virar realidade.

 

Fonte: Diário Catarinense – Gabriela Florêncio