Dirigente municipal escreve texto após caso de agressão a professora em Indaial

 

Reflexões sobre a Educação!

A semana recém finda colocou-nos, frente a frente, com um fato que não é comum em Santa Catarina e, especialmente, em Indaial. A agressão a uma professora suscitou uma série de episódios que nos obrigam a refletir sobre a violência que crassa pelo país de forma generalizada.

Como secretário de educação do município, tenho evitado manifestar-me para não colocar mais lenha na fogueira, mas agora, passado o período mais emocional, vale refletir sobre o mesmo.

A primeira reflexão nos conduz à conclusão de que vivemos em um país, absolutamente, violento. A cordialidade brasileira parece evadir-se na medida em que a violência cresce. Enquanto escrevo tomo conhecimento que, no Rio de Janeiro, o centésimo policial acaba de ser assassinado em 2017; os números do primeiro semestre mostram que este ano, mais uma vez, o Brasil conviverá com mais de 55 mil assassinatos; em recente reportagem do Jornal Café Impresso de Timbó, o delegado de Polícia de Indaial, Dr. José Klock,  refere-se a mais de uma agressão diária contra as mulheres da cidade e a um estupro de vulnerável por semana.

A escola, como parte do contexto social, não está imune a violência que a cerca e com a qual convive diariamente. Algumas de nossas escolas mantêm contato permanente com a Polícia Militar para cercar-se de segurança. Triste, mas necessário. Desde o começo do ano já tivemos escolas vandalizadas e roubadas, principalmente, em alimentos.

A segunda reflexão que faço está relacionada à perspectiva com que os jovens trabalham em relação ao futuro. O mercado de trabalho está sofrendo mudanças radicais que a grande maioria das pessoas não consegue compreender. Acompanhando a rede social se observa colocações, tais como: “não existe mais emprego para quem não tem estudo!”, “Só tem emprego para quem tem ensino médio completo!” Verdade! Do outro lado os indicadores nos mostram que parte do grande contingente de desempregados tem formação universitária. Belo dilema!

A terceira reflexão enfoca o papel da família na Educação de seus filhos. Com o envolvimento dos pais no mercado de trabalho as crianças ficam boa parte do dia a cuidado de terceiros. Os pais, pelo cansaço a que estão expostos, não acompanham, em sua maioria, o desenvolvimento de seus filhos na escola. Entender que apenas colocando seus filhos nas escolas está cumprido o preceito constitucional de que a “Educação é responsabilidade dos pais, do Estado e da sociedade” se resume a um brutal engano, cujas conseqüências estamos vivendo.

A quarta reflexão que faço e, com veemência, é: não partidarizem a Educação!!! Sempre que a Educação for partidarizada o grande perdedor é o estudante. Interesses partidários, futricas, a tentativa permanente de desestabilização dos gestores da Educação retiram muito do esforço, que deveria ser dedicado a Educação, para o processo de defesa. Coloquem-se no lugar das crianças e dos jovens e imaginem o prejuízo que isso gera ao país e, principalmente, às crianças.

O episódio ocorrido em nossa cidade não é isolado; acontece, quase que cotidianamente, país afora. Cabe a nós, cidadãos, o envolvimento no problema e a busca por soluções, pois se não o fizermos a tendência é de piora da situação.

Quando entendermos que muito do que acontece em nosso país está diretamente ligado ao sofrível nível da Educação praticada pode ser que tenhamos uma possibilidade de desenvolvimento econômico e social. Na Secretaria Municipal de Educação de Indaial, como sempre fizemos, às portas estão abertas para aqueles que, bem intencionados, puderem contribuir com soluções inteligentes e factíveis. Educação é um problema de todos, assim como a solução. Para pensar!

 

Por Ozinil Martins de Souza
Dirigente Municipal de Educação de Indaial