Municípios devem assumir o compromisso com a recomposição das aprendizagens, alerta especialista
Durante o Seminário Undime-SC, professora Berenice Bueno apresentou caminhos e ferramentas para enfrentar as defasagens educacionais e fortalecer a aprendizagem dos estudantes
O papel dos municípios na recomposição das aprendizagens foi o foco da palestra ministrada pela professora Berenice Bueno na manhã desta quinta-feira (23), durante o Seminário Undime-SC, que acontece no Centro Multiuso, em Araranguá/SC.
Durante sua fala, a educadora ressaltou a importância de que cada município e secretaria de educação assumam o compromisso com a recomposição das aprendizagens, garantindo que os estudantes tenham acesso ao direito constitucional de aprender como um passo essencial para alcançar equidade e qualidade na educação pública.
“Recompor aprendizagens significa assegurar às crianças e aos estudantes o direito à aprendizagem, previsto na Constituição. Somente assim poderemos alcançar a equidade na educação nacional e, especialmente, na educação pública”, destacou Berenice.
A palestrante enfatizou que o Brasil ainda enfrenta desafios históricos na oferta de uma educação plena e de qualidade. Segundo ela, a recomposição das aprendizagens é uma necessidade urgente diante das defasagens acumuladas nos últimos anos.
“O país, por natureza, já não entrega a educação na sua totalidade. Por isso, recompor aprendizagens é necessário e urgente. Precisamos preparar essa geração multigeracional para o sucesso pessoal e profissional”, afirmou.
Ao apresentar estratégias e sugestões práticas, Berenice destacou a importância de uma avaliação diagnóstica precisa como ponto de partida para o planejamento pedagógico das redes de ensino. A partir desse diagnóstico, devem ser organizados materiais adequados, formações continuadas para professores e monitoramento constante da evolução dos estudantes.
Entre as ferramentas que podem apoiar esse processo, a educadora citou as plataformas do CAED, que oferecem avaliações diagnósticas precisas, e as iniciativas do Instituto Reúna, com recursos como o Avalia e Aprende e os Mapas de Foco — instrumentos que orientam gestores e professores na definição do que é essencial para o desenvolvimento das aprendizagens.
“Hoje buscamos uma educação pública de qualidade e com equidade, garantindo que nenhum estudante fique para trás”, concluiu a palestrante.
Práticas inspiram estratégias de recomposição das aprendizagens
Na sequência, foi apresentado o painel “Práticas Municipais de Recomposição das Aprendizagens”, com experiências de sucesso desenvolvidas nas redes de Indaial e Araranguá. As iniciativas mostraram resultados expressivos na superação das defasagens educacionais e no fortalecimento das políticas de aprendizagem nos municípios.
- Indaial – “PROMAIS – Projeto educacional com metodologia de aprendizagem inovadora e significativa”
A técnica da Secretaria Municipal de Educação, Andreia Maria Krueger Tomelin, apresentou o projeto que atende estudantes do 1º ao 9º ano com dificuldades de aprendizagem, ligadas ou não a transtornos como TDAH, dislexia, disgrafia, disortografia, discalculia ou múltiplas reprovações. A proposta utiliza metodologias ativas e agrupamentos por níveis de aprendizagem, promovendo avanços significativos, especialmente na alfabetização.
Segundo Andreia, o PROMAIS foi criado para oferecer atendimento direcionado e inovador aos alunos com dificuldades identificadas nas sondagens e avaliações diagnósticas realizadas pelos professores.
“O projeto foi pensado para atender os alunos de forma pontual, com atividades inovadoras, que ampliem as possibilidades de aprendizagem além da sala de aula. Também atendemos adolescentes com múltiplas reprovações e estudantes estrangeiros, principalmente falantes de espanhol, que recebem apoio para o desenvolvimento da língua portuguesa”, explicou.
A técnica destacou ainda, que o acompanhamento dos resultados é contínuo e essencial para o sucesso da iniciativa. “Fazemos um acompanhamento mensal, com registros dos avanços observados. Quando o aluno supera as dificuldades iniciais, ele conclui o ciclo dentro do projeto, o que garante uma trajetória de aprendizagem efetiva e monitorada”, complementou Andreia.
- Araranguá – “Prática de recomposição de aprendizagem de 5º anos”
Em Araranguá, a dirigente municipal de educação, Mariluce Rodrigues da Silva, falou do trabalho desenvolvido a partir do diagnóstico das defasagens identificadas nessas turmas. A proposta tem por base as habilidades essenciais da BNCC e foi estruturada para alinhar as estratégias pedagógicas às reais necessidades dos estudantes.
O projeto alcançou cerca de 70% de recomposição das aprendizagens, além de maior engajamento da comunidade escolar e melhoria no desempenho dos alunos. “A iniciativa nasceu da necessidade de trabalhar com diagnósticos precisos. Identificamos os níveis de aprendizagem e, a partir disso, montamos estratégias com avaliações e atividades diferenciadas. Ficamos muito satisfeitos com os resultados já no primeiro simulado”, relatou Mariluce.
A dirigente ressaltou ainda a importância de socializar as experiências entre os municípios. “Esses momentos de partilha são fundamentais para que cada rede possa conhecer e adaptar boas práticas. Assim, todos nós contribuímos para fortalecer a recomposição das aprendizagens em Santa Catarina”, afirmou.
Promovido pela União dos Dirigentes Municipais de Educação de Santa Catarina (Undime-SC), o seminário reúne dirigentes, técnicos e educadores de todo o estado em uma programação que discute como as diferentes gerações impactam a gestão, o ensino e a aprendizagem. O evento também promove momentos de troca de experiências, apresentação de boas práticas e visita à feira educacional, que reúne cerca de 20 expositores com soluções e inovações voltadas à educação pública.
Fonte: Undime-SC






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