Oficinas temáticas destacam plataforma que promete transformar a gestão escolar no país durante evento na capital

Debates abordaram plataforma do MEC que automatiza a gestão de vagas na educação infantil e organiza a rotina escolar

Publicado em Notícias - 25/03/2026.

A transformação digital na educação pública ganhou destaque durante o Fórum Undime SC, que trouxe ao centro do debate uma ferramenta estratégica para o futuro da gestão educacional brasileira: a plataforma MEC Gestão Presente. O tema foi abordado em duas oficinas: uma dedicada à educação infantil e outra à gestão escolar como um todo, mostrando como a tecnologia pode mudar a forma como a rede municipal planeja, acompanha e executa suas políticas públicas.

Mais do que uma inovação tecnológica, o Gestão Presente representa uma mudança de cultura. As escolas sempre armazenaram dados (de frequência, desempenho, matrículas, evasão), mas, por muito tempo, essas informações se mantiveram fragmentadas, muitas vezes restritas ao papel ou a sistemas que não se comunicavam. O resultado era uma gestão baseada em registros dispersos, com baixa capacidade de análise integrada e pouca agilidade na tomada de decisão.

Agora, o sistema vem para mudar essa realidade e superar essa desconexão. Desenvolvida pelo Ministério da Educação, em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a plataforma reúne informações em um ambiente digital único, acessível e organizado, permitindo que gestores escolares e equipes das secretarias de educação tenham uma visão mais clara e em tempo real da realidade do município. 

Na primeira oficina, na terça-feira (24) e voltada à Educação Infantil, o foco esteve em um dos principais entraves das creches e pré-escolas: a falta de vagas. Ao identificar esse problema, a plataforma organiza a oferta disponível no município e a demanda das famílias, permitindo uma distribuição mais transparente e baseada em critérios já previstos em legislações federais, mas nem sempre aplicados de forma padronizada. Na prática, isso garante prioridade a públicos como famílias monoparentais, beneficiárias de programas de transferência de renda e crianças em situação de risco ou com deficiência.

“De um lado, a família se inscreve, informa sua necessidade e já seleciona as unidades mais próximas do seu endereço. De outro, a rede municipal passa a ter clareza sobre a demanda e a oferta, distribuindo as vagas com base em critérios de equidade”, explica a especialista Jocássia Motta, da equipe de implementação do sistema na UFAL.

Para os municípios, a mudança é significativa: sai de cena a lógica reativa e entra uma gestão mais preventiva, capaz de antecipar demandas e identificar vulnerabilidades.

O coordenador-geral de apoio à gestão escolar e transformação digital do MEC, Pedro Barreto, destaca que o olhar da União também se amplia. “Durante muito tempo, a atenção esteve voltada aos estudantes já matriculados. Agora, passamos a olhar também para quem ainda está fora da escola, aguardando uma vaga”, afirma.

Segundo ele, a plataforma não resolve, sozinha, o déficit de acesso, assim como a tecnologia não substitui políticas estruturais. Mas ela fortalece a gestão. “A ampliação de vagas depende de investimento e planejamento local. O sistema contribui ao tornar esse processo mais transparente, automatizado e orientado por dados”, diz.

Além de organizar o acesso, a plataforma disponibiliza painéis de monitoramento que indicam onde estão as demandas não atendidas, quais regiões precisam de mais investimento e como o atendimento está distribuído. “A partir do momento em que você tem informações organizadas, começa a viabilizar políticas públicas mais eficientes”, completa Pedro.

 

Gestão escolar e uso inteligente de dados

Já na oficina realizada na quarta-feira (25), o debate avançou para a gestão escolar como um todo. O módulo Gestão Presente na Escola amplia o alcance da plataforma, indo além da Educação Infantil para apoiar também a gestão administrativa e pedagógica de todas as unidades escolares.

A proposta é simplificar rotinas que hoje consomem grande parte do tempo das equipes gestoras, como controle de frequência, lançamento de avaliações, organização de turmas e horários. Na prática, ela funciona como uma grande infraestrutura de dados, capaz de oferecer uma visão ampla sobre a realidade das escolas em todos os níveis de ensino. Isso permite identificar, por exemplo, turmas superlotadas ou com vagas ociosas, além de acompanhar a trajetória dos estudantes com mais precisão. Uma visualização que, até então, não se tinha.

“É uma ferramenta que vem para facilitar o dia a dia da escola, permitindo que as equipes ocupem menos tempo com a parte burocrática e dediquem mais energia ao que realmente importa: o acompanhamento pedagógico e o aprendizado na sala de aula”, explica Pedro.

A integração dessas informações também fortalece a tomada de decisões e qualifica a formulação de políticas públicas, que passam a se basear em evidências concretas e não apenas em percepções ou dados desatualizados.

“A escola sempre foi uma mina de dados, mas essas informações ficavam guardadas, muitas vezes em registros manuais e desconectados. A plataforma transforma esse volume em inteligência, inclusive em contextos de baixa conectividade, já que foi pensada para funcionar também offline”, destaca Julia Lima da Rosa, gerente de Políticas Públicas da UFAL.

Esse novo cenário tem impacto direto na qualidade do ensino. Quando dados são organizados, analisados e utilizados de forma inteligente, tornam-se ferramentas poderosas para melhorar a aprendizagem. É possível identificar padrões de desempenho, acompanhar a evolução dos estudantes e direcionar a formação de professores com base em necessidades reais.

Fonte: Undime-SC

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