“O cérebro precisa se emocionar para aprender, e esse é o papel do professor”, disse Piangers encerrando a programação do Fórum Undime SC 2026
O comunicador, escritor e palestrante sugeriu um dia a dia de sala de aula que inverta a lógica de que o conceito deve ser transmitido primeiro que a experiência na prática
Emoção. Foi isso que o último palestrante do Fórum Undime SC, Marcos Piangers, conquistou da plateia formada por profissionais da educação pública municipal, ao relembrar das habilidades pessoais de cada um que é ou foi importante, principalmente os familiares e educadores. Ele também reforçou que é preciso educar crianças e adolescentes a partir da pedagogia da coragem, não do medo. “É preciso amar as outras pessoas, e partir do princípio que elas são boas”, disse o comunicador, escritor e palestrante logo no início da sua apresentação.
Ao falar sobre a educação do futuro, Piangers afirma que quanto mais pesquisa sobre o assunto, mais fica claro que não é a tecnologia que vai trazer destaque e sucesso para o estudante e sim um professor bem qualificado, que sabe identificar as habilidades dos alunos. “Achar a felicidade da pessoa que está em desenvolvimento é o que vai fazer dela uma pessoa bem-sucedida e esse deveria ser o objetivo maior de todos os educadores”, diz.
Autoestima elevada, inteligência social, ótimo aprendizado e aplicação na prática, são essas as características importantes e que devem ser estimuladas pelos professores. “A escola que começa pela teoria ensina as crianças a fazerem o mínimo”, observa Piangers. Ao longo de sua fala, sempre partindo da emoção, ele sugere que é possível fazer mais e estimular mais os alunos ao mudar a forma como se ensina. Começar por uma dinâmica, incentivando a curiosidade das crianças.
Essa ideia de ensino atual é muito pautada pelo americano David A. Kolb, teórico da educação, conhecido por desenvolver a Teoria da Aprendizagem Experiencial, que diz que a prática precisa vir antes da teoria. Nesse conceito, o professor deve testar os métodos e entender como funciona cada turma, que tem perfis diferentes. Com base nessa metodologia, a tecnologia pode funcionar muito bem em países que não têm professores suficientes como Nigéria e regiões da Mongólia. Mas em lugares com mais professores, são esses os profissionais que vão ensinar outras pessoas a capacidade que elas têm de aprender e realizar suas tarefas da forma mais completa e potente possível.
Foi depois de viajar o mundo para entender de a forma atual de educação ainda faz sentido, que Piangers escreve o livro “A Escola do Futuro: o que querem (e precisam) alunos, pais e professores”, em conjunto com o professor e pesquisador Gustavo Borba. Nesta publicação, eles falam que é preciso saber de tecnologia, para estar a par do mercado atual e conhecer como ela pode ser aplicada, mas também para saber os perigos dessa ferramenta, porque nenhuma criança precisa de tablet, de tela, de IA no estilo do ChatGPT. A palestra, que também é baseada no livro, ele ainda questiona o quanto as crianças aprendem ao brincar, ao passar o dia fora de casa. “O professor precisa estimular as crianças a não terem um cérebro preguiçoso e a fazer perguntas, não a saber e/ou decorar respostas, como diria Rubem Alves.
Empresas de tecnologia que não são exclusivamente focadas na educação, têm muito mais interesse econômico por trás, incentivando o descarregamento cognitivo, ou seja, ter um cérebro preguiçoso e não querer aprender como é possível dar o seu máximo, ler textos grandes, ou realizar qualquer outra atividade que precisa de uma atenção mais focada. “O papel do professor é manter a pessoa com o perfil da criança para sempre: criativa, inovadora, disposta, engajada, sociável, mas com as responsabilidades de adultos”, afirmou.
Piangers trouxe, também, o conceito do psicólogo cognitivo e educacional, Howard Gardner, que fala em desenvolver múltiplas inteligências, complementando que a criança não odeia a escola, mas sim a aula. Isso porque o cérebro precisa se emocionar para aprender e esse é o papel do professor. “A sala de aula é o mundo e o professor é o ponto de contato para a construção da teoria”, falou e demonstrou o palestrante. “Pouca tecnologia, muito aprendizado pelo dia a dia, a partir da biomimética, método pelo qual é possível aprender todas as matérias, que são importantes e podem ser aplicadas de forma prática”, disse.
Ainda de acordo com o comunicador, esse modelo é aplicado em diversos países do mundo todo, em geral em escolas privadas. No Brasil, tem escolas privadas que usam esse modelo, mas ainda é difícil colocar em prática esse método, principalmente nas escolas públicas. Ele encerrou sua fala reforçando que o professor ideal é aquele que tem paixão pela profissão, e não desiste dos alunos. “Ame as pessoas, reconheça o papel das pessoas importantes na sua vida, lembre-se que somos todos irmãos e irmãs e passe seu amor adiante”, disse. “Esse país precisa valorizar mais o professor, vocês mudam o mundo para melhor, parabéns pelo trabalho de vocês”, reforçou Piangers para uma plateia emocionada.
Fonte: Undime-SC





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