Alfabetização exige compromisso de toda a rede, defende Berenice Bueno durante Seminário

Palestra realizada nesta quarta, 7, propôs aos municípios um olhar sobre gestão, governança e corresponsabilidade para assegurar a aprendizagem de todas as crianças

Publicado em Notícias - 07/10/2026.

Garantir que todas as crianças aprendam a ler, escrever e compreender o mundo exige mais do que o trabalho realizado em sala de aula. É uma responsabilidade que começa na Secretaria de Educação, passa pela gestão escolar, envolve professores, famílias e toda a comunidade. Essa foi uma das principais provocações apresentadas pela professora e formadora de educadores e gestores Berenice Bueno, durante a palestra “Uma rede que alfabetiza: gestão, corresponsabilidade e equidade na garantia das aprendizagens”, realizada na manhã desta quarta-feira, 7, na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis.

Ao abordar os desafios enfrentados pelas redes municipais para assegurar a aprendizagem, Bueno destacou que a alfabetização não pode ser compreendida como uma tarefa restrita aos primeiros anos do Ensino Fundamental ou atribuída exclusivamente ao professor alfabetizador. Para ela, o percurso começa antes e se estende por toda a trajetória escolar, exigindo articulação entre os diferentes atores que fazem parte da educação.

A palestrante propôs aos Dirigentes Municipais de Educação (DME) e equipes técnicas presentes no Seminário Undime-SC um exercício de análise das próprias redes: identificar o que já funciona, reconhecer os avanços e perceber quais processos ainda podem ser aprimorados, para que nenhuma criança fique para trás.

“A minha fala foi no sentido de como uma gestão que trabalha na perspectiva da corresponsabilidade pode garantir que essas aprendizagens aconteçam”, explicou Bueno.

Governança para transformar compromisso em prática

Entre os caminhos apresentados, a professora destacou a governança como estratégia para organizar responsabilidades e transformar o compromisso coletivo em ações sistemáticas. A proposta parte da mobilização das pessoas envolvidas no processo educativo, para que compreendam sua contribuição e assumam, de forma compartilhada, a responsabilidade pela aprendizagem.

Na prática, isso significa criar mecanismos permanentes de acompanhamento, diálogo e tomada de decisão. Para a professora, não basta estabelecer metas: é necessário manter o olhar atento ao longo de todo o percurso e reavaliar continuamente o que está sendo feito.

A importância desse acompanhamento está também relacionada ao tempo escolar. São 200 dias letivos em um ano, período que pode representar uma diferença significativa na trajetória de uma criança quando as dificuldades de aprendizagem não são percebidas e enfrentadas a tempo.

“Dois meses na vida de uma criança podem passar e ser muito tempo. Pode ser justamente o prazo que ela precisava para que suas aprendizagens fossem consolidadas e, depois, seja necessário recorrer a projetos de recomposição”, alertou.

Por isso, a proposta apresentada durante a palestra é que as redes estabeleçam uma rotina de acompanhamento, capaz de revitalizar constantemente o compromisso com a aprendizagem. Reuniões, análise dos processos e diálogo entre os diferentes segmentos podem contribuir para criar uma cultura de corresponsabilidade, presente desde a Secretaria de Educação até a escola e a família.

Alfabetizar para ampliar possibilidades

A discussão também trouxe a alfabetização para uma perspectiva mais ampla, relacionada às oportunidades que se abrem ao longo da vida. Segundo Berenice, crianças que consolidam suas aprendizagens e desenvolvem competências de leitura e compreensão de mundo têm melhores condições de avançar em sua trajetória acadêmica e, posteriormente, ampliar suas possibilidades de inserção profissional e participação social.

Nesse sentido, alfabetizar não significa apenas dominar a leitura e a escrita. Envolve desenvolver habilidades que permitam ao estudante compreender informações, interpretar a realidade e atuar de maneira propositiva na sociedade.

A especialista também chamou atenção para a necessidade de que as redes façam uma espécie de “checklist” de suas próprias práticas, identificando tanto as arestas que precisam ser aparadas quanto as ações que já apresentam resultados positivos e podem ser fortalecidas. Portanto, a proposta não é partir sempre do que falta, mas também reconhecer aquilo que vem dando certo e buscar formas de consolidá-lo.

Um desafio que envolve toda a trajetória escolar

A perspectiva apresentada dialoga com o desafio nacional de ampliar os índices de alfabetização e garantir que um número cada vez maior de crianças conclua os primeiros anos com as aprendizagens necessárias. Para isso, a palestrante defendeu que cada integrante da rede compreenda sua responsabilidade e que a gestão crie condições para que esse compromisso se mantenha vivo durante todo o ano letivo.

Ao levar a discussão para o campo da governança, ela buscou aproximar o conceito da realidade cotidiana dos municípios, mostrando que organizar pessoas, processos e responsabilidades pode ser um caminho para transformar intenções em ações concretas.

Na sequência da programação, cerca de 450 participantes, entre Dirigentes de Educação e equipes técnicas de municípios catarinenses, acompanham o Painel de Práticas Municipais, espaço destinado ao compartilhamento de iniciativas desenvolvidas pelas redes de ensino. Participam da atividade representantes de Balneário Arroio do Silva, Chapecó e Balneário Camboriú, que apresentam suas experiências e dialogam com o público sobre os caminhos encontrados diante dos desafios na educação pública das respectivas regiões.

Fonte: Undime-SC

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