Práticas municipais mostram caminhos para fortalecer a aprendizagem e a inclusão nas redes de ensino
Experiências de Balneário Arroio do Silva, Chapecó e Balneário Camboriú apresentaram iniciativas desenvolvidas a partir de desafios identificados pelas próprias redes municipais durante Seminário da Undime-SC
Transformar desafios do cotidiano educacional em ações concretas foi o ponto de encontro das experiências apresentadas no painel “Práticas Municipais”, que encerrou a manhã de programação nesta quarta-feira, 7, do último dia da edição 2026 do Seminário Undime-SC, na capital. As iniciativas de Balneário Arroio do Silva, Chapecó e Balneário Camboriú mostraram diferentes estratégias adotadas pelas redes municipais para fortalecer a aprendizagem, respeitar as necessidades dos estudantes e ampliar as possibilidades de desenvolvimento.
Em Balneário Arroio do Silva, a prática “Antes das letras, muitas descobertas: habilidades precursoras para a alfabetização” parte de uma mudança de olhar para a Educação Infantil. A rede identificou, por meio de avaliações diagnósticas, a necessidade de atuar nas bases que antecedem o processo de alfabetização, fortalecendo habilidades como coordenação motora fina, fala, escuta e consciência fonológica.
A Dirigente Municipal de Educação, Dayane Freitas da Rosa Leonardeli, explica que a estratégia nasceu da percepção de que era necessário atuar no alicerce da aprendizagem. “Na Educação Infantil, as pessoas pensam que a criança está lá só para brincar, mas cada atividade lúdica, cada cumprimento de horário e cada rotina têm um desenvolvimento pedagógico”, destacou.
A iniciativa também envolveu a valorização dos profissionais com 95% dos sendo efetivos da rede, além da integração entre as diferentes etapas de ensino. Segundo Leonardeli, a rede buscou conscientizar os profissionais da Educação Infantil sobre a importância dessa fase e, ao mesmo tempo, aproximar os professores do Ensino Fundamental das habilidades que já precisam ser desenvolvidas antes da chegada da criança ao ensino regular.
Em Chapecó, o desafio identificado estava relacionado às defasagens de aprendizagem nos anos iniciais. A resposta foi o Projeto Afetividade para Reaprender (PARE), que combina estratégias pedagógicas e acolhimento para apoiar estudantes do 1º ao 5º ano.
A Dirigente Municipal de Educação, Astrit Maria Savaris Tozzo, explica que o projeto surgiu a partir de um diagnóstico da rede e da necessidade de olhar individualmente para cada estudante. “É fazer com que essa criança tenha progressos dentro da Língua Portuguesa e da Matemática”, afirmou.
A proposta considera o tempo, as habilidades e as necessidades de cada criança. Para isso, conta com profissionais capacitados, avaliações e atividades planejadas de acordo com os desafios identificados. O trabalho inclui ensino compartilhado na alfabetização e aulas no contraturno para estudantes dos anos seguintes, utilizando também atividades lúdicas como recurso para recompor aprendizagens.
Já Balneário Camboriú apresentou a experiência “Da identificação ao enriquecimento curricular: uma experiência da RME no atendimento aos estudantes com altas habilidades/superdotação”. A prática surgiu a partir da identificação de estudantes que apresentavam habilidades diferenciadas, mas que não encontravam, nas unidades escolares, o suporte necessário para desenvolvê-las.
A Dirigente Municipal de Educação, Zélia Zanella, contou que a percepção levou à criação de um Polo de Altas Habilidades, espaço voltado à identificação e ao desenvolvimento dos talentos dos estudantes. O trabalho começa nas escolas e segue para o polo, onde os alunos participam de oficinas e projetos que ajudam a identificar suas áreas de maior interesse e potencial.
Mais do que desenvolver habilidades específicas, a iniciativa também busca ampliar o sentimento de pertencimento dos estudantes. Entre os projetos desenvolvidos está uma ação junto ao grupo da terceira idade, na qual os próprios estudantes auxiliam idosos no uso de redes sociais e no acesso a serviços bancários.
“Essas crianças estavam praticamente anuladas, não podendo desenvolver suas habilidades, e, com o polo, elas puderam desenvolver vários projetos”, relatou Zélia. A experiência mostra como o enriquecimento curricular pode ultrapassar os limites da sala de aula e transformar os conhecimentos dos estudantes em oportunidades de interação e contribuição para a comunidade.
As três experiências apresentadas no painel partiram de necessidades concretas identificadas pelas redes municipais e demonstraram que diferentes caminhos podem ser construídos para responder aos desafios da educação pública. Da preparação para a alfabetização ao atendimento individualizado e ao reconhecimento de talentos, as iniciativas evidenciaram o potencial das práticas desenvolvidas nos próprios municípios para qualificar o percurso de aprendizagem dos estudantes.
Fonte: Undime-SC




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