Palestra evidencia o respeito às especificidades da infância na educação em tempo integral
Israel Boniek dialogou com gestores e equipes técnicas sobre as possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento que essa política pode oferecer
“Quando pensamos no aumento da jornada, precisamos garantir que o que vai acontecer dentro desse período contemple uma dimensão integral da infância. Garantir que esse tempo seja um tempo de qualidade”. A afirmação é do doutor em Educação Israel Boniek, sócio-fundador do Instituto Infâncias, que conduziu a terceira palestra do segundo dia do Seminário Undime-SC, na tarde desta quarta-feira, 7, intitulada “Políticas públicas para primeira infância: o papel da educação infantil em tempo integral”.
A apresentação abordou os desafios de garantir que a ampliação da jornada tenha intencionalidade, qualidade e sentido pedagógico, sem deixar de respeitar as necessidades e especificidades da primeira infância.
“Precisamos reconhecer a educação infantil como o lugar de descobertas. Essa é uma dimensão intrínseca da infância de quem está vendo o mundo pela primeira vez. E aí vem uma questão importante: a gente trabalha por essa dimensão da infância, mas com rigor epistemológico, com ciência, com ética e valores. Proporcionar às crianças condições para que elas possam fazer, investigar e perguntar sobre o mundo”, defendeu.
Boniek destacou que as novas metas preveem a ampliação da jornada para, no mínimo, sete horas por dia e 35 horas semanais, priorizando o turno único. “Por quê? Para não dar a ideia de contraturno, não dar a ideia de disciplinas isoladas, não dar a ideia de oficinas isoladas. É compreender essa rotina como um processo integral.”
A palestra também colocou em evidência os compromissos éticos, políticos e pedagógicos envolvidos na construção da política de educação para esse público. Gestores e educadores foram instigados a pensar de que maneira a ampliação pode contribuir, efetivamente, para a garantia dos direitos das crianças, especialmente em contextos marcados por diferentes condições sociais e educacionais.
Na sequência da programação, os participantes acompanham o Painel de Práticas Municipais, que reúne experiências de três redes de ensino catarinenses. Florianópolis apresenta a política de transição entre a Educação Infantil e o Ensino Fundamental da Rede Municipal de Ensino (RME); Ponte Serrada aborda a avaliação e o monitoramento da aprendizagem; e Caçador compartilha o SAEB Games, iniciativa que utiliza a gamificação como estratégia de aprendizagem.
Fonte: Undime-SC




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