“A educação tem que se comprometer a formar o estudante para pensar e não para apertar o botão”
Psicanalista e educadora, Jane Haddad, traz provocações e reflexões necessárias para a educação e o equilíbrio na sociedade atual em um estado de presença
A palestra de abertura do último dia do Fórum Undime SC, ministrada por Jane Haddad, trouxe a reflexão acerca do impacto das novas tecnologias na constituição do sujeito. Com mais de 20 anos de atuação em escolas, somado à sua experiência clínica como psicanalista, Haddad tornou-se referência em educação ao dialogar temas relevantes na sociedade atual.
Para ela, o adulto tem um papel mediador entre o mundo real e o virtual, para lembrar qual é o nosso estado de presença. “O debate é muito mais profundo. Onde é que está o nosso estado de presencialidade frente à vida? Porque aprender é pulsão de vida. É querer aprender para saber, para conhecer. Não é preparar para um futuro, mas é para a gente estar em estado de presença no presente. O futuro é consequência.”, coloca a palestrante.
A proibição do uso de celulares e dispositivos eletrônicos em sala de aula é vista por ela como apenas a ponta do iceberg. “O momento agora é de ver o que fica e o que vai. Esses aparelhos estão sendo usados como um projeto pedagógico ou como um projeto de alienação?”, questiona Haddad. Ela aponta que estamos passando por questões que envolvem saúde mental ao nos depararmos com muitos casos de automutilação, suicídios, medicamentalização, entre tantos outros problemas em crianças e jovens. Outra questão do debate foi a não culpabilização do papel da escola ou da família, mas sim um compromisso coletivo. “É uma responsabilidade coletiva em provocar na criança e no adolescente que ele se responsabilize pelas suas próprias escolhas”, complementa.
Haddad defende a autonomia de pensamento construída a partir do debate. “É isso que eu quero provocar nos professores, para que eles provoquem nas crianças e nos jovens: o debate. Mas o debate que, quando o outro está falando, a gente escuta. Porque um debate sem escutador é um eco, é um discurso vazio. É um vazio e eu estou defendendo o meu eco.”, finaliza.
Fonte: Undime-SC





Siga a UNDIME-SC