Seminário traz integração entre currículo e ludicidade como caminho para fortalecer alfabetização
Em Araranguá, professora Daniela Montuani dialoga com os mais de 650 educadores e gestores sobre as práticas pedagógicas intencionais desde a educação infantil
A professora e doutora em Educação, Daniela Montuani, abriu a programação da tarde desta quinta-feira (23), no Seminário Undime-SC, realizado no Centro Multiuso de Araranguá, com a palestra “Prática de alfabetização e letramento na pré-escola e ensino fundamental”. A especialista propôs uma reflexão sobre como trabalhar alfabetização e letramento de forma lúdica, integrada e intencional.
Com ampla experiência nas áreas de alfabetização, letramento, políticas públicas e mediações pedagógicas com jogos e recursos didáticos, Montuani ressaltou que o foco do debate não é apenas compreender o que é alfabetização, mas como realizá-la na prática, de modo que o processo seja significativo e respeite o direito à infância.
“A ideia é discutir como podemos trabalhar alfabetização e letramento com práticas lúdicas e letradas, mas com intencionalidade pedagógica. Não é falar sobre o que é alfabetização, e sim sobre como fazer isso acontecer”, explicou a palestrante.
Durante a explanação, ela apresentou possibilidades de práticas que valorizam o contexto lúdico e letrado, ao mesmo tempo em que favorecem a construção de um currículo integrado entre os componentes curriculares, desde a educação infantil. Para ela, compreender esse processo é essencial para orientar as decisões das redes municipais de ensino em relação à escolha de materiais, formação docente e definição curricular.
“Um dos pontos altos é pensar em um currículo que trabalhe de forma integrada, respeitando a infância e garantindo o direito de aprender. Discutir alfabetização e letramento desde a educação infantil é um campo cheio de desafios e tensões, mas também de muitas possibilidades”, destacou.
A palestrante também mencionou a perspectiva alfaletrada da professora Magda Soares, referência nacional na área, com o trabalho desenvolvido no Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale) e em Lagoa Santa (MG), exemplos de experiências bem-sucedidas na integração entre ludicidade, currículo e alfabetização.
Fortalecendo a alfabetização por meio de práticas
Na sequência da palestra da professora, Daniela Montuani, o seminário apresentou o painel “Práticas Municipais de Alfabetização”, destacando experiências exitosas desenvolvidas nas redes de Guabiruba e Governador Celso Ramos. As iniciativas mostram caminhos concretos para aprimorar os processos de alfabetização, reforçar o trabalho pedagógico e valorizar o protagonismo docente nas escolas públicas.
- Guabiruba – “Apoio pedagógico”
Durante o painel, a técnica da Secretaria Municipal de Educação, Priscila de Almeida Soares Demétrio, falou sobre o projeto “Apoio Pedagógico”, criado a partir da necessidade de enfrentar os índices insatisfatórios de alfabetização e de matemática básica. O programa oferece atendimento personalizado a estudantes com dificuldades de aprendizagem, promovendo integração entre escola e família, além de fortalecer as práticas docentes.
Coordenado por uma psicopedagoga e mais dez pedagogas, o projeto realiza atendimentos semanais, no contraturno escolar, de forma individual ou em pequenos grupos. As intervenções são baseadas em avaliações diagnósticas, que orientam um plano de ação específico para cada aluno.
“O ‘Apoio Pedagógico’ nasceu da necessidade de reestruturar nossas práticas e dar foco à alfabetização. Já observamos avanços importantes, com alunos que superaram dificuldades e foram liberados das intervenções. É um trabalho direcionado, que tem trazido resultados concretos”, destacou Priscila Demétrio.
- Governador Celso Ramos – “Práticas de alfabetização”
A conversa deu sequência com o dirigente municipal de educação, Adilson Costa, que trouxe o projeto “Práticas de Alfabetização” à conhecimento dos presentes, com a literatura como eixo central e apostando na formação continuada dos professores como principal estratégia para aprimorar a aprendizagem. A iniciativa consolidou o município como referência nacional, reconhecida com o Selo Ouro em Alfabetização 2024, concedido pelo Ministério da Educação (MEC).
O programa promove encontros quinzenais com os professores, realizados durante as aulas-atividade, para socialização de práticas e planejamento colaborativo. A cada trimestre, a equipe pedagógica da Secretaria se reúne para analisar relatórios e dados de desempenho, acompanhando o desenvolvimento das turmas com base em instrumentos como o Hábile e o Sondar.
“Nosso foco é o professor como protagonista do processo de alfabetização. Trabalhamos com formações continuadas e metodologias lúdicas, sempre valorizando o que é produzido no chão da escola. A alfabetização é uma responsabilidade coletiva e permanente, que envolve todos os agentes da rede”, ressaltou Adilson Costa.
Fonte: Undime-SC







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