“Inclusão começa quando a escola deixa de enxergar o estudante como problema”, defende psicóloga na palestra de encerramento do Encontro Regional da Undime-SC
Regiane Ruivo apresentou estratégias para promover uma educação inclusiva baseada na identificação de barreiras, no planejamento pedagógico e na valorização das diferentes formas de aprendizagem
A última palestra do Encontro Regional da Undime-SC, realizada nesta quarta-feira (8), no Centro de Eventos Plínio Arlindo de Nes, em Chapecó, colocou a educação inclusiva no centro das discussões. Com o tema “Neurodiversidade e Educação Inclusiva: estratégias para promover a aprendizagem, participação e desenvolvimento de todos os estudantes”, a psicóloga, Regiane Ruivo, conduziu uma reflexão sobre os desafios enfrentados pelas redes municipais e apresentou estratégias para tornar o ambiente escolar mais acessível, acolhedor e preparado para atender às diferentes formas de aprender.
Logo no início da palestra, a especialista propôs uma mudança de perspectiva sobre a inclusão escolar. Segundo ela, é preciso deixar de compreender o estudante como o problema e direcionar o olhar para as barreiras que dificultam sua aprendizagem, participação e desenvolvimento dentro da escola.
“O aluno nunca é o problema. O que precisamos identificar são as barreiras que impedem sua aprendizagem e sua participação. Quando compreendemos isso, conseguimos pensar em estratégias, adaptações e intervenções que favorecem o desenvolvimento de todas as crianças”, afirmou.
Ao longo da apresentação, Ruivo abordou estratégias de mediação pedagógica capazes de apoiar o processo de ensino e aprendizagem de estudantes com diferentes características e necessidades, reforçando que cada criança possui especificidades e, que o planejamento pedagógico deve considerar essa diversidade.
Entre os assuntos que mais despertaram o interesse dos participantes esteve o manejo de situações envolvendo crianças que apresentam crises de desregulação. A palestrante ressaltou que, mais importante do que discutir formas de contenção, é investir em ações preventivas, capazes de identificar sinais de sobrecarga sensorial e realizar intervenções antes que a crise aconteça.
Segundo ela, muitos desses episódios estão relacionados ao ambiente escolar e às interações estabelecidas no cotidiano, o que torna essencial a adequação dos espaços e das práticas pedagógicas para reduzir estímulos que possam desencadear essas situações.
“Nosso foco precisa ser a prevenção. Quando o professor consegue reconhecer os sinais de sobrecarga e compreender como o ambiente interfere no comportamento da criança, ele passa a ter mais condições de intervir de forma adequada. Existem estratégias que tornam esse processo mais tranquilo, embora saibamos que isso exige planejamento, conhecimento e trabalho contínuo”, explicou.
Durante o encerramento, a psicóloga reforçou que a construção de uma educação inclusiva de qualidade depende do envolvimento de diferentes setores do poder público e do investimento permanente na formação dos profissionais da educação.
“A educação inclusiva não pode ser responsabilidade apenas da escola ou da Secretaria de Educação. Ela precisa ser planejada de forma intersetorial, envolvendo também a saúde, a assistência social e outras políticas públicas. Só assim conseguiremos oferecer suporte aos professores e garantir que todas as crianças, com suas diferentes características e formas de aprender, tenham assegurado o direito à educação”, concluiu.
Promovido pela Undime-SC, o Encontro Regional tem caráter itinerante e percorre diferentes regiões do Estado com o objetivo de aproximar a entidade dos municípios, fortalecer a formação continuada de Dirigentes Municipais de Educação e suas equipes, além de fomentar o debate sobre temas estratégicos da educação pública que atendam a realidade local. A etapa de Chapecó marcou o primeiro encontro regional de 2026, reunindo cerca de 300 profissionais da educação de, aproximadamente, 60 municípios do Oeste Catarinense.
Fonte: Undime-SC




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