África e Brasil: conhecimento, arte e interação marcam abertura com palestra show
Natanael dos Santos propõe uma nova leitura sobre a presença africana na formação do Brasil
Ao som de ritmos africanos, instrumentos musicais e vestimentas típicas, o professor, escritor, pesquisador e palestrante, Natanael dos Santos, conduziu uma reflexão sobre a trajetória do africano em território brasileiro para um público de mais de 400 pessoas. A temática abriu o ciclo de palestras do Seminário da Undime-SC, iniciado na manhã desta terça-feira, 6, na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis.
Ao reunir pesquisa, música, oralidade e ancestralidade, Santos busca superar uma narrativa histórica que frequentemente restringe homens e mulheres africanos à condição de escravizados. “Todos nós temos um conceito sobre negros e povos indígenas. Essa palestra vem para a quebra de paradigmas, para mostrar como o nosso olhar está equivocado. Por quê? Porque o negro vem de um continente riquíssimo, é o primeiro continente da história da humanidade”, ressaltou.
Com mais de duas horas de duração, a palestra show foi marcada pelo dinamismo e pela interação entre o palestrante, reconhecido nacionalmente pelo trabalho de pesquisa sobre a historiografia africana e pela formação de educadores, e o público.
O professor evidenciou que esses povos chegaram ao território brasileiro trazendo consigo conhecimentos, tecnologias, culturas, idiomas, religiosidades, técnicas de trabalho e diferentes formas de compreender e transformar o mundo.
Com a participação do Quinteto Griô Educacional, a apresentação trouxe contribuições em áreas como agricultura e plantação sistematizada, mineração e metalurgia, construção, tecelagem, culinária, medicina tradicional, musicalidade, oralidade, navegação, organização social e manifestações culturais.
Gestores, técnicos, educadores e demais participantes puderam refletir sobre a forma como a história africana e afro-brasileira é ensinada e sobre a importância de reconhecer o protagonismo negro na formação do Brasil.
A abordagem dialoga, diretamente, com a educação para as relações étnico-raciais e contribui para a implementação das Leis Federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, fortalecendo práticas pedagógicas comprometidas com o conhecimento da história e da cultura africana, afro-brasileira e indígena.
Em um dos momentos mais marcantes do encontro, Santos sorteou um dos participantes para receber um presente. A secretária adjunta de Educação de São José (SC), Sonalit Lehmkuhl, foi a sorteada. Ela subiu ao palco e fez um breve discurso sobre sua trajetória na educação.
Sonalit destacou que, durante 29 anos, foi diretora da Escola Professor Altino Corsino da Silva Flores, localizada no bairro Barreiros, onde os estudantes negros são a maioria. “É um trabalho longo para a gente fazer com que eles entendam como é importante se reconhecer”, pontuou a educadora.
Na sequência, será discutido “O papel da articulação entre a Secretaria de Educação e os gestores escolares”, com o professor e pesquisador Herbert Lima.
Fonte: Undime-SC







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