Educação em Tempo Integral ganha força no palco do Seminário Undime-SC

Doutoranda em Educação e Ciências Sociais, representante do SESI/SC e presidente da Undime-SC dialogaram sobre os desafios e as oportunidades da política em Santa Catarina

Publicado em Notícias - 06/10/2026.

Educação, tempo integral, desafios, aprendizagem, expansão de matrículas, segurança jurídica, planejamento, qualidade e equidade. As palavras ajudam a traçar os principais pontos abordados na primeira palestra da tarde do Seminário da Educação Undime-SC 2026, que acontece nesta terça-feira (6), na Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), em Florianópolis. 

Com a temática “Educação em Tempo Integral: Novos desafios e oportunidades em Santa Catarina”, o bate-papo reuniu a doutoranda em educação e ciências sociais, Raquel Franzim; a gerente executiva de Educação Básica, Social e Cultura do SESI/SC, Silvia De Pieri; e a presidente da Undime-SC e Região Sul, Jucilene Fernandes, Dirigente Municipal de Educação (DME) de Balneário Rincão/SC. 

Levando em conta as diferentes realidades dos municípios catarinenses, as palestrantes discutiram os desafios da expansão e apontaram caminhos para que o aumento das matrículas esteja associado a uma oferta qualificada. 

Fernandes destacou que o tema é tão importante quanto o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), política pública coordenada pelo Ministério da Educação (MEC) que visa garantir o direito à alfabetização de todas as crianças brasileiras até o final do 2º ano do ensino fundamental. 

Segundo a profissional, é necessário saber gerenciar o tempo a mais que o aluno passa no ambiente escolar, aproveitando as oportunidades maiores de aprendizagem que esse período pode proporcionar. “É a criança ficar mais tempo, mas aproveitar melhor esse tempo na escola, que, com certeza, ela vai estar ali, ela vai ter a garantia dos direitos. E o objetivo dessa mesa foi, justamente, orientar os municípios em relação à expansão de matrículas e, também, como utilizar os recursos para poder fazer essa expansão”, comentou.

Ainda no quesito qualidade, Franzim também expôs ferramentas práticas para que os gestores organizem suas redes e equipes e possam implementar essa política, “não só aumentando o número de matrículas, mas assegurando os resultados de aprendizagem com inclusão e equidade nesses resultados”, disse a profissional que atuou  na Coordenação-Geral de Educação em Tempo Integral, do Ministério da Educação (MEC) até o início de 2026. 

Outro tópico abordado envolve as mudanças no financiamento, que preveem que estados, municípios e o Distrito Federal destinem, anualmente, no mínimo 4% dos recursos do Fundeb à criação e à expansão de matrículas em tempo integral na educação básica, conforme a Emenda Constitucional nº 135/2024 e a Resolução nº 23/2026 da CIF. 

Para os gestores municipais, a mudança traz a necessidade de rever estratégias, organizar investimentos e planejar a ampliação de acordo com as necessidades de cada rede. Em Santa Catarina, esse movimento já apresenta resultados: 93% dos municípios possuem uma política de educação em tempo integral estruturada, enquanto a oferta de vagas passou de 10% para 25% nos últimos anos.

“Os municípios estão fazendo a expansão dentro das suas possibilidades, é claro, porque hoje nós temos um grande desafio para ampliar o tempo integral, que é a questão do espaço físico. A infraestrutura hoje é um dos maiores desafios, mas os municípios, os Dirigentes Municipais de Educação, estão empenhados e nós já avançamos muito no percentual de oferta do tempo integral”, pontuou Fernandes.

Apesar dos desafios, Pieri reconheceu os esforços das secretarias municipais de educação, que, de acordo com ela, têm priorizado iniciativas voltadas à melhoria dos indicadores da área. Ela também reforçou a importância do apoio de instituições para fortalecer essa construção. “É importante contar com parceiros que tragam competência, segurança jurídica, que tragam confiança. Então, o Sesi, o Senai, entidades do sistema Fiesc, se colocam à disposição pra ser esse parceiro”, afirmou.

Na sequência, o painel “Práticas Municipais” reúne representantes de Piratuba, Garuva e Urussanga para apresentar e debater práticas selecionadas pelo Conecta SC.

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